
Rapariga: A silhueta renascentista que trasnportas em ti, não é senão, o oposto das formas contemporâneas - as de perfeição inigualável-, na qual o teu corpo-objecto de seis séculos passados é incapaz de reinventar as mais "brejeiras" das palavras, tais como tesão e fornicação.
Na verdade pouco importa isso. A relação entre nós - Homens-, é obrigatoriamente sujo, bem imundo, vindo das entranhas e brindado com as vísceras. Com todas as veras é assim que te quero. É assim que gosto de ti. É assim o nosso "ludus way" a contemplar o nosso amor como puro jogo do come e deita fora.
Amém.Seis séculos findados e a palavra "Amar" parece ter caído em desuso. Se já antes estava morta, agora está morta, matada e enterrada.
Debruço-me sobre a tua sepultura secular e peço o teu perdão, não só pela falta de romantismo aparente, mas também pela pouca classe que parece vingar nestas linhas.
Permitam-me uma outra classe - a de necropsia:Nome do cadáver: "Amar"
Hora da morte: 06h43m
Local: Ventre da sua mãe
Motivo: Sua própria definição
Sexo: Desconhecido
"Amar": Verbo intransitivo que não necessita de complemento para completar o seu significado. Que não transita, que não passa, que não se desenvolve, sem segundo sujeito - que morre à nascença, que morre sozinho!
Mas Rapariga: Nem tudo está morto, pois apesar de não te poder "amar", "Sexo-te"! "Sexo-te" como as gôndolas "sexam" os canais estreitos repletos de água; "Sexo-te" como as máscaras "sexam" os baús em tempos de Carnaval; "Sexo-te" como Tintoretto "sexava" telas e pincéis; "Sexo-te" como Michelangelo "sexava" as formas renascentistas.
E é assim: a despeito de todas as contrapartidas semânticas, metáfóricas e pseudos alegorias que digo: Gosto de ti: Assim: Aí: Sem rosto: Sem cheiro: Sem saudade.
Amém.Mulher, amo-te!Beijo