
Psicologia Feminina é o título do livro de Paulo Mantegazza, um pensador italiano do fim do século XIX início do século XX. Para além de pensador, terá sido uma espécie de visionário, um excelente observador da realidade de então que antecipara um dos maiores problemas para o homem e não "H"omem no século XXI.
Esta obra é curisosa e não se deve apenas à reflexão do autor mas também ao contexto, sarcasmo, eloquência, e assertividade com que foi escrita e brilhantemente traduzida por Joaquim Dos Anjos.
Pode-se encontrar desde cedo o tom de "voz" do autor, ao ler na página que antecede a introdução, um pedido e não uma dedicatória: "ÁS MULHERES DE HOJE PARA QUE NOS PREPAREM A MULHER DO FUTURO".
Salvaguardo de antemão, tal como o autor, a ideia principal de que, "Eu não sou feminista, mas adoro a mulher, que é metade de mim mesmo, chame-se ela mãe, espôsa, filha ou irmã", e num plano secundário o seguinte: "e quando estou só, quer seja um dia, ou apenas uma hora, olho em roda, inquieto e triste, procurando a metade de mim mesmo, que perdi."
Eis o começo, o meio e o fim: "AS NOSSAS MULHERES. Eu porêm, não me alegro nem me resigno com a mulher como ela é, e olho para o futuro, que sem dúvida será melhor do que o presente (...). O meu livro não tem pretensões a ser uma o bra de arte, mas quere ser um livro documento, e invejo os vindouros, que daqui a séculos, encontrando um exemplar dele perdido em alguma livraria, hão-de exclamar com ar de compaixão: Como eram as mulheres do século XIX." Paulo Mantegazza termina a sua introdução refugiado no tempo, porventura influenciado pela beleza e optimismo da cidade de Florença donde em 1905 rematara a introdução: "Possam os pósteros, ao lerem êste livro, ver que já nos primeiros anos do século XX um modesto pensador tinha previsto êste alegre futuro." Como é visível, podemos considerar Mantegazzo, um utopista, um sonhador, onde seu pedido incial dirigido às mulheres não teve eco algum.
Hoje viveria um século XXI amargurado, passando os seus dias sobre escravaninha a dissertar mais volumes sobre a psicologia da mulher, intitulando -talvez, obras como: "Diabo Mudou de Sexo", "Diabo mascarou-se com nova plástica.", "Diabo e Botox, a mistura explosiva", Etc... .
A mulher do século XXI em nada parece distante da do século XIX, talvez mais refinada ou não fosse dizer o autor: "É (a mulher) uma liberta da civilização e da tirania embotada, mas ainda pungente. E das carícias que parecem bofetadas vinga-se com a mentira que se tornou para ela uma defesa necessária.". O autor diz ainda: "Deveríamos com tôda a razão ser acusados de chauvinismo se nos declarássemos satisfeitos com as nossa mulheres, quero dizer, com as mulheres europeas, como no-las (elas) tem tornado uma religião que já não é do nosso tempo, uma moral demasiado hipócrita e uma higiene recêm-nascida". Eis que surge uma questão pertinente: Como está a nossa segurança alimentar? Será que a mulher, a mulher dos nossos dias, aquela longe da ternura das mães ou das avós, passaria nas exigências da ASAE?
"Mesquinha compensação, escassa justiça, e descontentamento de duas criaturas que nasceram para viver sempre juntas, para se amarem e para beberem na mesma taça o néctar da felicidade, formam uma neblina que é o ao mesmo tempo fria, húmida e amarga"
Paulo Mantegazza, em "Psicologia Feminina". 1905.
Mulher, amo-te.