
"Com a rosa na mão, voou pelo bosque em busca da menina.
Mas por mais que a procurasse não a encontrou.
As árvores tinham-lhe dito que uma Rosa vermelha havia brotado, e cada pétala era dona de um amor puro.
Tivera medo do que ouviu e fugiu..."





A arte contemporânea assume um papel intrigante no que toca aos seus limites. Hoje corre-se o risco de ser mal interpretada devido à componente ética adjacente à “obra”.
Este fenómeno dos limites da arte, deixa os espectadores num estado entre ansiedade, a surpresa e o asco, onde todos os limites parecem ser rompidos.
Telas brancas, esculturas com gorduras humanas, esquartejamento de animais em galerias de arte, autoflagelação dos artistas, são exemplo das “bizarrices” que compõem a mundo artístico dos dias de hoje.
Há uns dias li no P2, suplemento do público, uma reportagem intitulada “Arte! Há limites éticos? que procurava dissecar um dos últimos trabalhos do artista plástico Sul Americano, Guillermo Habacuc Vargas.
A sua última obra “Eres lo que lees” (Você é o que você lê), e entenda-se “criação” do ponto de vista etimológico da palavra e não dos actos, expôs numa galeria de arte um cão de rua faminto, deixando-o morrer à fome. Este trabalho ultrapassou todos os limites da razão e do eticamente aceitável, colocando em causa a posição e relevância do que é arte e quais serão os seus limites.
Foi considerado um monstro, psicopata, assassino, louco, mas quem será o verdadeiro culpado?
A Arte tem vivido do macabro, do choque como se fosse um novo tipo de “entretenimento” e o artista procura ganhar protagonismo e o grande público com isso.
Nos dias de hoje um dos papéis da arte, senão o principal passará por ela equacionar os seus limites!
