Dou neste momento por terminada a minha viagem a Inglaterra!
É meia noite, 25 de Março e acabei de chegar ao ponto de partida – Coimbra!
Faz hoje 10 dias que saí daqui rumo a York, Inglaterra e na bagagem muitas vontades e saudades que me pesavam no corpo. Apanhei o comboio das 7 e 45 da manha com destino a Faro, com uma paragem a meio na cidade das sete colinas. O frio fazia-se sentir, mas á medida que atravessava o Alentejo o calor foi-se instalando.
Na carruagem 21 do Intercidades conheci Sr. Chico, um algarvio de Vila Real de Santo António. O seu aspecto rude, o seu tamanho atípico (um gigante, para um velho na casa dos setenta e poucos anos), o seu olhar apagado e as suas mãos pesadas, atribuíam-lhe um aspecto assustador. Fiquei reticente até ele desfazer o seu disfarce. Uma criança hiperactiva despertou e tinha acabado de entrar na idade dos porquês! Quem sou eu? Que faço aqui? Para onde vou? Onde saio?
Quem sou eu já dava para muitas horas de conversa para os amantes da filosofia, mas a resposta era simples: sou o Chico! Mas não há bela sem senão, tudo se complicou quando deixámos a terra e passámos para o ar, e a fronteira de Portugal ficou lá longe!
Já no aeroporto de Faro e o Sr. Chico no conforto de sua casa, apanhei o avião para Leeds.
Oito anos depois estava de regresso a Inglaterra, com os braços e pernas mais compridos, olhar diferente, com a vontade de conhecer um novo mundo e partilhá-lo com quem mais se gosta.
Para já estou sozinho, não há o Agostinho nem os outros que viajaram comigo há quase uma década, para partilhar o meu pé estranhamente pouco nervoso. Saí do avião com um nova amiga, uma amizade consumada no autocarro que nos transportou da porta 25 do aeroporto de faro até aeronave que tinha estampado a vermelho e letras bem gordas e pesadas “Yorkshire” . Não estava enganado! Não trocámos nomes, apenas o desabafo de quem receava o pássaro de metal e dezoito anos de uma Inglesa em Portugal.
Dou outro lado e com os pés já bem assentes na terra estavas tu. Esperavas-me pintada de azul sobre um “dourado vermelho”, de forma intacta, trejeitos sem tirar nem pôr, de desenho único. Estavas deliciosamente definida...